terça-feira, 29 de abril de 2025

Operação Narco Vela: Desarticulação de Rede Sofisticada de Tráfico Marítimo Internacional

 Rodrigo Morgado foi preso pela PF
durante uma operação contra o tráfico internacional e teve veículos apreedidos
 — Foto: Reprodução/Instagram e divulgação PF

1. Sumário Executivo: Operação Narco Vela - Desmantelando um Corredor Transatlântico de Narcóticos

A Operação Narco Vela representa uma iniciativa de grande envergadura da Polícia Federal (PF) brasileira, deflagrada em 29 de abril de 2025 , com o objetivo central de desarticular uma organização criminosa altamente estruturada e dedicada ao tráfico internacional de drogas. A investigação expôs um esquema que priorizava rotas marítimas, empregando veleiros e outras embarcações para transportar entorpecentes , visando principalmente os mercados consumidores na Europa e na África. A própria designação da operação, "Narco Vela" , reflete diretamente o modus operandi central do grupo – o uso de embarcações à vela –, sublinhando a importância da logística marítima na sua estratégia criminosa.


Os resultados da operação foram expressivos, culminando em numerosas prisões efetuadas em múltiplos estados brasileiros – São Paulo, Rio de Janeiro, Maranhão, Pará e Santa Catarina – e também no exterior. Além das detenções, a ação policial representou um golpe financeiro substancial contra a organização, com a Justiça Federal determinando o bloqueio e apreensão de bens avaliados em R$ 1,32 bilhão. A magnitude desta cifra sugere que a organização não era um ator secundário no cenário do narcotráfico, mas sim uma empresa criminosa altamente lucrativa, que provavelmente operou por um período considerável até ser desmantelada. A acumulação de ativos ilícitos nesta escala demanda tempo, sucesso operacional contínuo e métodos sofisticados para gerir os lucros.  

A operação também destacou a importância crítica da cooperação internacional, iniciada por uma comunicação da Agência Antidrogas dos Estados Unidos (DEA) , e envolvendo posteriormente outras agências internacionais na interceptação de carregamentos.  

2. O Modus Operandi do Tráfico Marítimo: Sofisticação em Alto-Mar

A organização criminosa desarticulada pela Operação Narco Vela demonstrou um nível notável de planejamento e sofisticação em suas operações de tráfico marítimo transatlântico. Suas táticas envolviam recrutamento especializado, uma cadeia logística complexa e o uso estratégico de tecnologia.

Confira os mandados:

São Paulo:

  • Bertioga: 1 de busca e apreensão
  • Guarujá: 17 de busca e apreensão e 10 de prisão temporária
  • Ilhabela: 1 de busca e apreensão e 1 de prisão temporária
  • Iracemápolis: 1 de busca e apreensão e 1 de prisão temporária
  • Limeira: 4 de busca e apreensão
  • Praia Grande: 3 de busca e apreensão e 3 de prisão temporária
  • Santos: 17 de busca e apreensão e 6 de prisão temporária
  • São Paulo: 1 de busca e apreensão
  • São Sebastião: 1 de busca e apreensão e 1 de prisão preventiva
  • Sorocaba: 1 de busca e apreensão e 1 de prisão temporária
  • Taubaté: 1 de busca e apreensão e 1 de prisão temporária

Rio de Janeiro

  • Mangaratiba: 1 de busca e apreensão e 1 de prisão temporária

Maranhão

  • São Luís: 1 de busca e apreensão

Pará

  • Ananindeua: 1 de busca e apreensão
  • Belém: 1 de busca e apreensão e 1 de prisão temporária

Santa Catarina

  • Balneário Camboriú: 1 de busca e apreensão e 2 de prisão temporária
  • Barra Velha: 2 de busca e apreensão e 1 de prisão temporária
  • Florianópolis: 2 de busca e apreensão e 1 de prisão temporária
  • Itajaí: 3 de busca e apreensão e 2 de prisão temporária
  • São Francisco do Sul: 2 de busca e apreensão e 2 de prisão temporária

2.1. Recrutamento Estratégico: Explorando a Expertise Marítima

Um dos pilares do sucesso logístico da organização era o recrutamento direcionado de indivíduos com habilidades marítimas específicas. O grupo buscava ativamente pescadores e navegadores com experiência comprovada em travessias transoceânicas. Esta não era uma contratação aleatória, mas uma estratégia deliberada para adquirir o capital humano essencial para a execução de viagens complexas e de longa distância, que exigem conhecimento especializado em navegação, manutenção de embarcações e gestão de condições marítimas adversas. A dependência de tais habilidades especializadas sugere uma vulnerabilidade inerente à organização; a interrupção do acesso a esse conjunto limitado de profissionais qualificados poderia prejudicar significativamente sua capacidade operacional, apontando para potenciais estratégias de combate ao tráfico focadas nesse elo da cadeia.  

2.2. A Cadeia Logística: Da Costa ao Alto-Mar

O transporte da droga, primariamente cocaína , seguia um processo multifásico meticulosamente planejado para maximizar a eficiência e minimizar os riscos de interceptação:  

  1. Núcleo Costeiro: A droga era armazenada no litoral brasileiro, sendo a região da Baixada Santista identificada como o principal núcleo operacional da organização. A centralidade desta região é reforçada pela expedição dos mandados judiciais pela 5ª Vara Federal de Santos.  
  2. Transferência Inicial: A partir dos pontos de armazenamento, a cocaína era transportada por via terrestre até locais adequados para embarque em lanchas rápidas.  
  3. Encontro em Alto-Mar: Estas lanchas rápidas navegavam até pontos predeterminados em alto-mar, distantes da costa.  
  4. Etapa Transoceânica: No alto-mar, a carga era transferida para embarcações maiores, notadamente veleiros e outros barcos com autonomia para longas travessias oceânicas.  
  5. Aproximação Final: Há indicações de que, antes de alcançar o destino final na Europa ou África , a droga poderia ser novamente transferida para barcos menores e mais ágeis, facilitando a entrega discreta no continente.  

Este processo de transferência em múltiplas etapas, envolvendo diferentes tipos de embarcações , é uma tática clássica de contra-vigilância. Seu objetivo é compartimentar o risco – a interceptação de uma etapa não compromete necessariamente toda a operação – e dificultar o rastreamento contínuo pela polícia, já que cada transbordo representa uma potencial quebra na cadeia de vigilância. Demonstra um entendimento sofisticado da gestão de riscos no contrabando marítimo.  

2.3. Vantagem Tecnológica: Rastreamento e Comunicação por Satélite

A tecnologia desempenhava um papel crucial nas operações do grupo. A organização utilizava equipamentos de rastreamento e comunicação via satélite. Isso permitia a coordenação das complexas operações logísticas através de vastas distâncias oceânicas, o monitoramento em tempo real dos carregamentos e, potencialmente, a manutenção de comunicações seguras entre os membros da rede, aumentando significativamente a eficiência e a segurança operacional. O emprego desta tecnologia denota um nível de sofisticação operacional e um investimento financeiro que transcende o contrabando rudimentar. Sugere que o grupo adaptou ferramentas modernas para superar os desafios inerentes à coordenação de logística marítima intercontinental, demonstrando capacidade de investimento e conhecimento técnico para alavancar a tecnologia em prol de suas atividades ilícitas.  

2.4. Nexo Geográfico: Baixada Santista e Alcance Global

A investigação confirmou o papel central da Baixada Santista como o coração operacional da organização. Esta localização estratégica, próxima ao Porto de Santos , provavelmente facilitava a logística de armazenamento, transporte terrestre inicial e, potencialmente, o recrutamento de pessoal ou o estabelecimento de conexões cruciais. A concentração de atividades nesta área , uma região com conhecida presença de facções criminosas como o Primeiro Comando da Capital (PCC) , levanta a forte possibilidade de uma simbiose ou envolvimento direto da infraestrutura criminal já estabelecida na facilitação desta rota de tráfico marítimo específica. A expedição dos mandados pela Justiça Federal de Santos solidifica ainda mais esta ligação geográfica. Em contraste com este núcleo local, o alcance da organização era vastamente internacional, com remessas direcionadas especificamente para a Europa e a África.  

3. A Investigação: Gênese, Cooperação Internacional e Execução

A complexidade e o alcance transnacional da organização exigiram uma investigação robusta, marcada por um evento inicial chave e uma colaboração internacional contínua, culminando numa operação policial coordenada em larga escala.

3.1. A Faísca: A Apreensão do 'Lobo IV' em Fevereiro de 2023

O ponto de partida para a Operação Narco Vela foi uma comunicação da DEA norte-americana à Polícia Federal brasileira. Esta comunicação reportava a apreensão de uma carga significativa: 3 toneladas de cocaína.  

A droga foi encontrada a bordo do veleiro de bandeira brasileira 'Lobo IV'. A interceptação ocorreu em alto-mar, em águas internacionais próximas ao continente africano , e foi realizada por forças marítimas norte-americanas (fontes mencionam a Marinha Americana e a Guarda Costeira Americana ). Durante esta abordagem inicial, foi preso o brasileiro Flávio Pontes Pereira , que estava a bordo da embarcação. Informações subsequentes indicaram que a cocaína havia sido carregada no veleiro em Caraguatatuba, no litoral de São Paulo.  

3.2. Uma Teia de Colaboração Internacional

O sucesso da investigação e da operação subsequente dependeu fortemente da colaboração entre agências de diferentes países, indo além da informação inicial fornecida pela DEA. A investigação revelou que outros carregamentos vinculados à mesma organização criminosa também foram interceptados em águas internacionais. Estas ações foram conduzidas pela Guarda Civil Espanhola e pela Marinha Francesa , demonstrando a extensão geográfica das atividades do grupo e a resposta coordenada das autoridades internacionais.  

A fase de execução da Operação Narco Vela também refletiu essa cooperação, com ações sendo realizadas não apenas no Brasil, mas também nos Estados Unidos, Itália e Paraguai. A necessidade de envolver múltiplas agências internacionais (DEA, forças marítimas dos EUA, Guarda Civil Espanhola, Marinha Francesa, e ações em outros países ) sublinha a natureza transnacional da ameaça representada por redes de tráfico marítimo sofisticadas. Nenhuma nação, agindo isoladamente, poderia ter desvendado completamente a rede ou interceptado todos os seus carregamentos. A disrupção eficaz de tais grupos exige compartilhamento de inteligência fluido e esforços de interdição coordenados através de múltiplas jurisdições.  

3.3. Deflagração da Operação: Um Golpe Coordenado

A fase ostensiva da Operação Narco Vela ocorreu em 29 de abril de 2025 , mobilizando um contingente significativo de forças policiais. Mais de 300 policiais federais e 50 policiais militares do estado de São Paulo participaram da ação.  

Sob a autorização da 5ª Vara Federal de Santos , foram cumpridos um total de 97 mandados judiciais, sendo:  

  • 4 mandados de prisão preventiva
  • 31 mandados de prisão temporária
  • 62 mandados de busca e apreensão.  

As ações ocorreram simultaneamente em cinco estados brasileiros: São Paulo, Rio de Janeiro, Maranhão, Pará e Santa Catarina. A abrangência geográfica da operação, incluindo um mandado de busca específico em São Luís, Maranhão , indica que a organização criminosa não estava confinada ao seu núcleo na Baixada Santista. Pelo contrário, possuía ramificações logísticas, financeiras ou de pessoal em diversas regiões do Brasil, sugerindo uma rede doméstica complexa que dava suporte às operações de tráfico internacional e exigindo uma resposta federal coordenada multiestadual.  

4. Estrutura da Rede e Indivíduos Chave: Conectando os Pontos

A investigação da Operação Narco Vela não apenas mapeou o modus operandi da organização, mas também começou a desvendar sua estrutura interna, identificando indivíduos chave e suas conexões com o crime organizado estabelecido.

4.1. Conexões com o Crime Organizado: O Elo com o PCC

Um dos achados mais significativos da investigação foi a identificação de ligações diretas entre a rede de tráfico marítimo e o Primeiro Comando da Capital (PCC) , uma das maiores e mais poderosas organizações criminosas do Brasil, com atuação transnacional.  

Informações fornecidas pela DEA foram cruciais para identificar Leandro Ricardo Cordasso como uma figura participante do esquema, possuindo vínculos com o PCC. A investigação apontou que Cordasso mantinha uma "relação de afinidade" com dois indivíduos identificados como integrantes da facção: Rodrigo Felício, conhecido pelo codinome 'Tico', e Levy Adriani Felício, conhecido como 'Mais Velho'.  

Adicionalmente, foi reportado que o recrutamento de pescadores e navegadores experientes era realizado por intermédio de uma "facção criminosa" com origem na Baixada Santista. Embora não nomeada explicitamente nesta fonte específica, a forte presença do PCC na região e as menções diretas em outras partes da investigação tornam altamente provável que se trate do PCC.  

A confirmação de vínculos com o PCC eleva a importância da Operação Narco Vela. Ela não se limitou a desarticular um grupo independente de traficantes, mas atingiu as operações logísticas de uma facção criminosa de grande porte, potencialmente impactando suas fontes de receita internacionais e sua capacidade de projetar poder através do controle de rotas de tráfico valiosas.  

4.2. Suspeitos Identificados e Funções

Diversos indivíduos foram identificados e alguns detidos no curso da investigação e da operação:

  • Flávio Pontes Pereira: Preso em fevereiro de 2023 durante a apreensão inicial de 3 toneladas de cocaína a bordo do veleiro 'Lobo IV'. Sua presença na embarcação sugere um papel direto no transporte, possivelmente como comandante ou tripulante.  
  • Leandro Ricardo Cordasso: Identificado através de informações da DEA, com ligações diretas ao PCC e aos irmãos Felício. Parece ser uma figura de conexão importante entre a operação de tráfico marítimo e a estrutura mais ampla do PCC.  
  • Rodrigo Felício ('Tico') e Levy Adriani Felício ('Mais Velho'): Identificados como membros do PCC conectados a Cordasso. Provavelmente ocupam posições de influência dentro da facção relacionadas a estas operações de tráfico.  
  • Rodrigo Morgado: Empresário, contador e influenciador digital. Foi alvo de mandados de busca e apreensão e preso em flagrante durante a operação por posse ilegal de arma de fogo em São Paulo. Sua empresa de contabilidade, a Quadri Contabilidade, é suspeita de ser utilizada para lavagem de dinheiro, através da criação de outras empresas para dificultar o rastreamento de valores. Morgado é investigado tanto por suspeita de participação no esquema de tráfico internacional quanto por lavagem de dinheiro. Bens de luxo associados a ele, incluindo uma Ferrari e uma Lamborghini, foram apreendidos.  

O envolvimento de um profissional como Rodrigo Morgado , com uma fachada de negócios legítimos, sugere que a organização utilizava indivíduos com conhecimentos específicos e acesso ao sistema financeiro legal para funções cruciais como a lavagem de capitais. Isso demonstra a complexa intersecção entre atividades ilícitas e negócios aparentemente legais, uma tática comum em organizações criminosas sofisticadas para ocultar a origem dos lucros do tráfico e integrá-los à economia formal, tornando a detecção e a persecução penal mais desafiadoras.  

4.3. Tabela: Indivíduos Chave Implicados na Operação Narco Vela

NomeCodinome ConhecidoFunção/Conexão AlegadaStatusFontes
Flávio Pontes Pereira-Tripulante/Transportador (preso a bordo do 'Lobo IV' com 3t de cocaína)Preso (Fev 2023)
Leandro Ricardo Cordasso-Ligação com o PCC; conexão com os irmãos Felício; identificado via DEAInvestigado/Alvo Operação
Rodrigo Felício'Tico'Membro do PCC; "relação de afinidade" com CordassoMembro do PCC/Investigado
Levy Adriani Felício'Mais Velho'Membro do PCC; "relação de afinidade" com CordassoMembro do PCC/Investigado
Rodrigo Morgado-Influenciador/Contador; suspeito de lavagem de dinheiro via empresa de contabilidadePreso (Abr 2025 - flagrante arma); Investigado tráfico/lavagem

 

5. Resultados Operacionais: Prisões, Apreensões e Disrupção Financeira

A Operação Narco Vela resultou em prisões significativas, apreensão de bens valiosos e uma medida judicial de forte impacto econômico contra a organização criminosa.

5.1. Atualização de Prisões e Mandados

Até a tarde de 29 de abril de 2025, a Polícia Federal havia efetuado a prisão de 23 indivíduos investigados. Considerando o total de 35 mandados de prisão expedidos (4 preventivos e 31 temporários ), as autoridades ainda buscavam por outros 12 suspeitos no momento das primeiras divulgações. Foram cumpridos também 62 mandados de busca e apreensão.  

5.2. Apreensões Materiais: Ativos Confiscados

Durante as buscas, as equipes policiais apreenderam uma variedade de bens pertencentes aos investigados, incluindo:

  • Veículos de Luxo: Destacam-se uma Ferrari modelo 296 GTB, avaliada em R$ 4,5 milhões, e uma Lamborghini Urus, ambas ligadas a Rodrigo Morgado. Outro carro de luxo foi apreendido na Riviera de São Lourenço, em Bertioga. Outros veículos também foram confiscados.  
  • Embarcações: Barcos e outras embarcações utilizadas ou adquiridas pela organização foram apreendidos.  
  • Dinheiro e Valores: Foram apreendidos dinheiro em espécie, joias e relógios.  
  • Drogas: Embora a operação tenha sido desencadeada por uma apreensão anterior de 3 toneladas de cocaína , as fontes não detalham novas quantidades significativas de drogas apreendidas durante a fase ostensiva de abril de 2025.  

5.3. Impacto Econômico: O Bloqueio de R$ 1,32 Bilhão

Uma das medidas de maior impacto da Operação Narco Vela foi a determinação da Justiça Federal para o bloqueio e apreensão de bens dos investigados e da organização criminosa até o valor total de R$ 1,32 bilhão. Esta ação visa atingir diretamente a base financeira do grupo, buscando não apenas punir os indivíduos envolvidos, mas também incapacitar a estrutura econômica que sustentava suas operações ilícitas.  

O foco expressivo na recuperação de ativos e o bloqueio de um montante tão elevado, combinado com a apreensão de bens de luxo específicos , demonstra que a investigação financeira e a asfixia econômica foram componentes centrais da estratégia da Operação Narco Vela, e não meramente secundários. Isso reflete uma abordagem moderna de aplicação da lei contra o crime organizado, que reconhece a importância de desmantelar o poder econômico das facções para obter uma disrupção duradoura, indo além das prisões de seus membros.  

5.4. Tabela: Resumo dos Resultados da Operação Narco Vela

CategoriaQuantidade/ValorFontes
Mandados de Prisão Preventiva4 emitidos
Mandados de Prisão Temporária31 emitidos
Indivíduos Presos (até 29/04/25)23
Mandados de Busca e Apreensão62 cumpridos
Bloqueio/Apreensão de Bens (Valor)Até R$ 1,32 bilhão determinado
Apreensões NotáveisCarros de luxo (Ferrari, Lamborghini), embarcações, dinheiro, joias, relógios
Locais de Atuação (Brasil)SP, RJ, MA, PA, SC
Locais de Atuação (Exterior)EUA, Itália, Paraguai (ações)

 

6. Ramificações Legais e Avaliação Conclusiva

A Operação Narco Vela representa um golpe significativo contra uma complexa rede de narcotráfico, com implicações legais para os envolvidos e lições importantes sobre a natureza do crime organizado contemporâneo.

6.1. Acusações Criminais Previstas

Os indivíduos investigados no âmbito da Operação Narco Vela deverão responder perante a Justiça por uma série de crimes graves, a depender da comprovação de suas condutas individuais. As principais acusações incluem:

  • Tráfico Internacional de Drogas
  • Associação para o Tráfico
  • Integração de Organização Criminosa.  

6.2. Significado e Implicações Amplas

A Operação Narco Vela se destaca como uma ação de grande relevância no combate ao crime organizado no Brasil e internacionalmente. Ela expôs e desmantelou parcialmente uma rede de tráfico de drogas transnacional que demonstrava um alto grau de sofisticação, capacidade tecnológica e conexões com facções criminosas estabelecidas, como o PCC.

As características chave desta organização, reveladas pela investigação, incluem:

  • A dependência de expertise marítima específica, através do recrutamento direcionado.
  • Uma cadeia logística multifásica complexa, projetada para mitigar riscos.
  • O uso estratégico de tecnologia de satélite para coordenação e controle.
  • Operações financeiras substanciais, possivelmente envolvendo lavagem de dinheiro através de negócios legítimos.
  • Um alcance geográfico que conectava um núcleo operacional na Baixada Santista a mercados na Europa e África, com uma rede de apoio doméstica multiestadual.

A operação também ressaltou, de forma inequívoca, a importância vital da cooperação policial internacional. Desde a informação inicial da DEA até as interceptações realizadas por forças navais e policiais de múltiplos países, ficou evidente que o combate eficaz a redes criminosas que operam além das fronteiras nacionais exige um esforço conjunto e coordenado de compartilhamento de inteligência e ação operacional.

Em suma, a Operação Narco Vela serve como um estudo de caso sobre a evolução do narcotráfico em larga escala. Ela ilustra a convergência de métodos tradicionais de contrabando (rotas marítimas, exploração de habilidades específicas) com tecnologia moderna (comunicações e rastreamento por satélite) e operações financeiras sofisticadas. A resposta das autoridades, combinando investigação tradicional, análise de inteligência, cooperação internacional e foco na descapitalização financeira, demonstra o tipo de abordagem multifacetada necessária para enfrentar eficazmente as organizações criminosas do século XXI.



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